A arte em prosa em Tarântula | Crítica

Olá, como estão?

Por aqui está tudo tranquilo! =)

Venho hoje contar para vocês sobre a experiência que tive ao ler um exemplar que a Editora Planeta me enviou com muito carinho e que ainda me deu o privilégio de escolher: Tarântula, a ficção de Bob Dylan que levou o Prêmio Nobel de Literatura 2016.

Eu tinha muito interesse em ler esta obra por se tratar de um livro de Dylan, que eu sou muito fã, e por sempre ouvir que o livro era meio maluco, mas muito legal!

O livro foi publicado pela primeira vez nos anos 70, mas na verdade era pra ser publicado em 1966, quando o autor tinha 23 anos. O editor conta no prefácio que aconteceram alguns contratempos e Dylan resolveu que não gostaria mais de publicar o livro, contudo, como algumas cópias simples  já haviam sido enviadas para críticos – imprensa literária em geral – a fim de ser divulgada em seu lançamento, trechos e cópias não autorizadas começaram a ser publicados e vendidos de maneira ilegal e descontrolada, para remediar e controlar a situação Dylan aceitou que o livro fosse então publicado em 1971.

Eu comecei a ler, terminei e me achei uma ‘burralda’, não entendia como podiam ter classificado este livro – algumas vezes – como romance, de primeira pareceu um monte de poesia em prosa, escrita de um jeito parecido com as poesias surrealistas que acompanhavam as arte moderna em performances.

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Li mais uma vez, e as coisas começaram a fazer mais sentido. Pareciam trechos de músicas, pensamentos soltos, sentimentos falando alto sobre um papel, consegui entender cada pedacinho separado, mas não enxergava como podiam ter visto como um romance, uma ficção entrelaçada.

Mais uma vez eu li, e na terceira eu consegui fazer a conexão! Tarântula é a sociedade em que Dylan vivia na década de 1960, e que escreve angustiado e intenso sobre todos os aspectos que aconteciam naquela época como a Guerra Fria, a Guerra do Vietnã, sobre a censura, o medo que tudo isso causava e mesclando com todo o movimento e a importância que a arte tinha no mesmo período. Bem, na verdade é isso! Tarântula é um desabafo, um pedido de socorro, uma expressão, um chamado a arte em meio ao caos e à angustia das pernas opressoras das grandes aranhas, ou grandes potências, como você preferir. Os poemas em prosas fazem sentido sozinho, mas também formam uma grande história quando juntos.

O livro tem um ar de diário, quase confessional. São sentimentos e pensamentos que foram escritos em papel, há amor, crítica, elogios, ataque, defensiva, há quase de tudo, há vida! E como a vida não obedece regras, normas, formas certas e caminhos retos, a escrita é livre, solta, sem padrões e mistura prosa, poesia e um recorte de memórias. Sem pontuação culta, sem letras maiúsculas, sem norma escrita.

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Um toque triste é que muito daqueles sentimentos ecoam com a sociedade de hoje, e pensar que depois de 50 anos ainda sentimos medo do amanhã, e fazemos críticas muito parecidas com aquelas, ainda há guerra e muitas aranhas nos atacam todos os dias. Acho que foi muito certo, na minha humilde opinião, que um prêmio tão importante tenha sido entregue a essa obra. Estamos precisando de mais arte e reviver este livro é uma maneira incrível disso acontecer!

Tarântula é uma obra de arte e de vanguarda, imagino que se eu ler uma próxima vez vou conseguir encaixar mais coisas e a cada leitura feita me apaixonarei ainda mais!

 

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Nerd: Natalia Contave

Natalia Contave, sou eu! A maluca com tatuagem de Harry Potter que ama cinema e literatura, e quando junta os dois, fica melhor ainda! Trabalho escrevendo, me divirto escrevendo, então, vamos fazer isso! Veremos uns filmes, leremos umas coisinhas e depois conto tudo por aqui! ;)

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