Bloodline termina sua história de forma honesta

Bloodline é uma grande série da Netflix, embora ela jamais tenha sido reconhecida pelo grande público – como outros produtos da plataforma – foi reconhecida pelos críticos e premiações.
Essa “rejeição” do público pela série se dá, principalmente, pela sua narrativa linear, sem pressa de contar sua história e que, assim como Sense8, o espectador é fisgado no terceiro ou quarto episódio, o que faz todo o sentido, já que as séries Originais Netflix vieram com a proposta de fazer grandes filmes de 10 ou 12 horas e história contínua – nem todo o filme pega seu público no primeiro ato.

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A primeira temporada foi a construção da família Rayburn, uma família “modelo” e american way of life, com a mãe e os 3 filhos vivendo em harmonia, até que esse clima é abalado pela chegada de Danny, um homem-problema, que todos rejeitam, ao passo que o temem. Mas, porque isso acontece? A forma como o público descobre é devastadora.

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Já a segunda temporada mostra as consequências da volta de Danny e o impacto que causou na vida de todos. Foi a melhor temporada da série, mais dinâmica, envolvente e já deixou um grande gancho para a terceira e última temporada. Quem abandonou lá no começo perdeu uma grande história.
Mas a série não tinha mais por onde andar e como não foi um sucesso comercial, a Netflix resolveu encerrá-la no terceiro ano, ainda no auge e, assim como as temporadas anteriores, de olho nas premiações. O que merece: essa terceira temporada é ótima, um fecho honesto e, se não brilhante.

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A temporada começa exatamente onde a anterior terminou, com a família Rayburn tendo que manter as aparências e credibilidade com o mundo exterior. Família em primeiro lugar, nem que para isso tenham que passar por cima dos demais.
John, vivido por Kyle Chandler, é o mais próximo de um líder: sempre imponente e acima de qualquer suspeita, mas que aqui tem que lidar com seus demônios pessoais. Seu irmão, Danny, que é o oposto, funciona aqui como a consciência dele e não são poucos os momentos em que John depende dele.

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Kevin é o mais explosivo deles, aquele que faz antes para perguntar depois, mas nesta temporada precisa aprender a pedir ajuda, seja para sua esposa, irmãos ou mãe. Meg, vivida por Linda Cardellini, é a mais humana dos irmãos e a que mais carrega o sentimento de culpa. Nesta temporada ela se preocupa menos com a família e mais com si própria. Não quer carregar o fardo de ninguém, quer aproveitar a vida sem responsabilidades. O que considerando seu histórico, não é errado, embora ela tenha sido prejudicada pelo roteiro e, infelizmente, subutilizada por ele.

Já a matriarca da família, Sally, vivida pela, sempre ótima, Sissy Spacek, tem muito mais tempo de tela aqui do que nas temporadas anteriores. E justamente por isso é que compreendemos melhor suas motivações.

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No entanto, mesmo que todos os atores estejam bem, inclusive os coadjuvantes, o show aqui é de Ben Mendelsohn, que interpreta Danny de forma única: um personagem enigmático, carismático e que deixa seu público em dúvida o tempo todo acerca de suas intenções, mas se mostra mais interessante do que seus irmãos.

Não foi à toa que Ben ganhou o Emmy de Melhor Ator Coadjuvante no Emmy 2016.

Os 10 episódios desta temporada vão preparando todos para seu final e deixa claro que a protagonista aqui é a família Rayburn, e não John, como se pensa, apesar de que a maioria dos personagens venham a convergir nele, de forma direta ou indireta, é a família – e o que ela faz – é de fato o grande foco por aqui.

Bloodline foi uma grande série e conseguiu contar uma história que poderia ser real em manter linear em sua narrativa. Em seus 33 episódios, consegue deixar o espectador preso em tela para saber o próximo passo da trama e de seus personagens, que são excelentes.
De quantas séries atuais podemos dizer o mesmo?

Nota-do-crítico-4

 

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Nerd: Raphael Brito

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