Crítica: John Doe – Vigilante

Fala Khalasar, beleza?

Confesso, o título do filme não é lá muito atrativo mas ao mesmo tempo cria uma certa curiosidade, principalmente naquelas pessoas que cada dia mais se perguntam onde toda essa violência vai parar, e se existe algo que você possa fazer. Você pode até tentar negar, mas em algum momento na sua vida após ver tantas notícias perturbadoras que evidenciam mais e mais a crueldade e maldade humana, você se pegou pensando que não tem mais jeito e que você, ou alguém, deveria começar a fazer justiça com as próprias mãos.

O que me prendeu ao filme não foi somente o ponto já citado acima, que para nós brasileiros parece ser uma constante. Mas o fato de que essa onda de falta de segurança, essa sensação de impotência está mais espalhada pelo mundo do que podemos imaginar. É óbvio que nós temos um problema de segurança nacional (sem contar a falta de educação, saúde e tudo mais), e na maior parte do tempo achamos que isso está restrito aqui.

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Este filme australiano vem mostrar que a insegurança está imperando cada vez mais, mundo afora. Veja bem, digo isso não para que você se sinta mais “tranquilo”, pensando: ah, tudo bem, então não é só no Brasil! Muito pelo contrário, isso é algo para alertar e nos fazer pensar que existe algo muito, mas muito errado com o mundo. Não é mais uma sensação de insegurança localizada, mas uma certeza global.

Não existem grandes astros na produção, sendo que o mais conhecido é provavelmente o personagem principal interpretado por Jamie Bamber, mais conhecido como Apollo de Batlestar Galactica. Mas isso não tem influência alguma no quanto esse filme é impactante!

É bom destacar o nome escolhido: John Doe é na língua inglesa como se fosse o nosso “Zé Ningúem“, um qualquer, apenas um rosto na multidão. Geralmente usado para pessoas que perdem a memória, neste caso foi utilizado para que os cidadãos do mundo criado e a platéia se sintam representados pelo personagem. Isto fica evidenciado quando o personagem se apresenta: “Você me conhece. Sou como você. Sou apenas mais um rosto na multidão. Um cara comum. Esposa, filho, hipoteca. Um trabalho que odeio, uma vida que odeio. Uma vida sem sentido. Sou John Doe.

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Porém não pense que o filme apresenta simplesmente argumentos para que você concorde com o Vigilante. Ele vai muito além disso, fazendo você pensar que mesmo com todos estes problemas, é certo que você se torne o policial, juiz, juri e executor? Faz você refletir que toda ação que você tome, terá consequências e não somente na sua vida mas em uma sociedade como um todo. Você nunca sabe quem influenciará e como fará isso. Ao mesmo tempo, apresenta a ideia de que você não deve ser apenas um peão, e seguir a maré. O principal é como encontrar um equilíbrio entre isso tudo?

Uma outra questão também é abordada pelo filme, não de forma tão direta e abrupta, mas que também é algo muito atual: a manipulação de informação pela mídia.

Vou deixar 2 passagens do filme, que farão que você reflita muito sobre a questão e desperte seu interesse em assistir:

John estava matando criminosos de carreira. Tenho 23 homicídios não resolvidos aqui, sob minha responsabilidade. Caso um: o assassinato de uma jovem inocente. Caso dois: a primeira vítima de John Doe. Você paga seus impostos, me diga em qual prefere que eu me concentre? No assassinato de uma jovem inocente ou no de um renomado pedófilo?

Mas sei que o sistema como está, não funciona. É tudo politicamente correto, é tudo sobre o direito dos criminosos. Os bandidos se safam e as vítimas acabam se ferrando. E quando vão a julgamento, se é que tem tanta sorte, a corte acaba editando a declaração de impacto da vítima. Por que? Para reduzir o impacto. Coisa de louco. E as vítimas acabam se tornado vítimas mais uma vez. (Continua). Um justiceiro é simplesmente alguém que viola a lei para punir um criminoso pelo que ele acha ser correto. Pelo que ele acredita que seja justiça. E como você chama uma país que envia soldados para matar gente em lugares como Afeganistão, Irã, Iraque, Coréia, Vietnã, em nome do que eles acham certo, do que eles creem ser justo? Aquele país é um justiceiro, pura e simplesmente. Só que quando um país o faz, as pessoas chamam de guerra e ninguém nem pisca. Mas quando se trata de um país, ele não é tão preciso e cuidadoso como alguém como John Doe. E aquele país acabando matando milhares de mulheres e crianças inocentes. Dano colateral.

Se ficou afim de ver, tem lá na Netflix!

Isto fica feliz em ser útil!

Nerd: Carlos AVE César

EXAGERADO! Jogado aos seu pés, eu sou MESMO EXAGERADO! Filho único, egoísta, mimado e mal-humorado. Produtor de Eventos, Engenheiro de QA e butequeiro! Buscando CONHECIMENTO, com cachorro-quente e guaraná. Também sou a personificação da Vingança! Twitter: @ONovoNerd Facebook: http://www.facebook.com/carloscesarcarvalho

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