Ninguém entra, ninguém sai: Filme tem boas ideias, mas não foge de problemas

O mercado de filmes brasileiros parece saturado de tantas comédias. O recente Minha Mãe é Uma Peça 2 foi um sucesso estrondoso e parece que a indústria brasileira aprendeu direitinho com Hollywood: se dá certo, vamos fazer mais filmes até aparecer outra tendência.

Mas, neste cenário, como vender mais um comédia? Como fazer com que seu filme atinja o maior número de pessoas e convencê-las de que seus filmes são diferentes? Simples, fazendo algo diferente, embora que essas diferenças estejam evidentes até a página dois.

É o caso de Ninguém Entra, Ninguém Sai, que chega aos cinemas brasileiros com a promessa de ser um novo sucesso entre várias comédias. Nada do que o diretor Hsu Chien não esteja acostumado: este é seu primeiro filme como diretor, mas ele já trabalhou como Diretor Assistente no sucesso De Pernas Pro Ar 2.

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Ninguém Entra, Ninguém Sai se passa no Rio de Janeiro (onde mais?) no qual algumas pessoas supostamente desconhecidas passam algumas horas dentro de um hotel por motivos distintos, como um casal de adolescentes que estão tendo a primeira vez, a juíza que sai com o segurança, o homem sem dinheiro que quer impressionar sua garota e por aí vai. Há também uma moça comum que foi sequestrada por um assaltante e eles caem no hotel quase que sem querer.

Mas há um problema: um dos funcionários do hotel está com a suspeita de um vírus mortal e o local é isolado em quarentena onde, como sugere o título, ninguém entra nem sai do lugar.

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A premissa do filme é muito interessante, principalmente por partir do conceito dos reality shows, onde colocam pessoas desconhecidas em um mesmo ambiente e sem contato com o mundo exterior e no caso deste filme em particular, embora há vários rostos conhecidos como Danielle Winits e André Mattos, o protagonista é o Hotel. Ponto.

Mas não dá para escapar de alguns clichês, seja na linguagem televisiva que encontramos na maioria das comédias atuais, ou  nas diversas tomadas da Cidade Maravilhosa que  fazem deste e de outros filmes – não muito diferentes – ter um clima de folhetim Global. Há algumas inconveniências no roteiro, como a mãe que vê o filho no hotel, causando um dilema familiar desnecessário e que não acrescenta em nada na história.

Junte tudo isso ao fato de que muitos atores não conseguem fugir da caricatura de si mesmos: Danielle Winits dificilmente foge do perfil da loira desejada com vários closes em seu corpo. Mas que, desta vez, como interpreta uma juíza, poderia ter algo de diferente ali. Sérgio Mallandro faz papel de si mesmo, inclusive com várias cenas gratuitas de momentos de sua carreira. E André Mattos como um chefe de polícia é um alívio cômico que não tem graça: ele faz paródia de si mesmo. de seu personagem em Tropa de Elite 2.

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Ninguém Entra, Ninguém Sai não exige muito de seus atores. Quem se sobressai aqui é a personagem de Guta Stresser, que vive Francisca, uma funcionária do hotel conservadora que não gosta da ideia de trabalhar por 40 dias seguidos e ainda ter que limpar toda a bagunça dos hóspedes. Seu plot twist é tão surpreendente quanto hilário.

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Já a maior parte do elenco, como Letícia Lima, Emiliano D’Ávila e João Cortês não estão mal, mas não saíram da zona de conforto.
Ninguém Entra, Ninguém Sai pode ser visto como “mais uma comédia”, mas não merece ser descartado. As boas ideias estão ali, às vezes bem ou mal executadas, mas resulta em uma comédia que não vai ofender seu público.
E nos dias de hoje isso é um feito e tanto.

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Nerd: Raphael Brito

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