Girlboss: Nunca Subestime o Poder de Uma Garota

Essa é uma série muito interessante, sem dúvida. Original da Netflix e baseada no livro #girlboss de Sophia Amoruso, conta a história dela mesma, Sophia, fundadora da Nasty Gal, uma marca que surgiu do nada e em pouco tempo se tornou uma gigante avaliada em milhões. Primeiramente devo dizer que a série, o livro e a própria Sophia não devem em momento algum perder a credibilidade pelo ocorrido com a marca, que recentemente fechou suas lojas físicas e entrou num processo de “falência” (não entraremos nesses méritos). Essa é uma história de evolução, tanto de Sophia, quanto da marca que surge no eBay. Pode ler sem medo que essa review é área livre de spoilers.

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O enredo da série é interessante. Ver como Nasty Gal surgiu, de onde veio a idéia e como ela foi se desenvolvendo e criando o corpo de uma empresa de verdade é fascinante. Pode ser que muitos jovens se identifiquem com Sophia, por ela está na casa dos 20 anos e não ter descoberto ainda o que deseja fazer de verdade pra viver. Além disso, inseguranças, receios, medos e incertezas que assombram nossas noites estão presentes na vida da personagem. Porém Sophia é complicada e talvez a identificação pare por aí (ou não).

Não li o livro e nem conheço a verdadeira Sophia Amoruso pra entender quem é ela e quais são os aspectos de sua personalidade, mas posso dizer que a Sophia de Girlboss é uma garota bem, digamos, difícil de lidar. Espirituosa, tenaz e em vários momentos arrogante, a personagem se apresenta ao público como alguém que pode ser difícil de se afeiçoar. Ao que parece, tudo o que ela faz possui um teor agressivo e rude. Até a maneira que ela coloca macarrão numa tigela passa esse tom, o que faz com que a ela pareça um pouco irreal em alguns momentos da série. Você pode conhecer alguém que seja sim complicado, arrogante e rude, mas dificilmente essa pessoa vai jogar macarrão em sua tigela de maneira bruta, só pra reforçar um pouco de sua personalidade - e calma, é só um exemplo.

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Ainda não estou certo se Britt Robertson convence como Sophia, em alguns trechos ela parece forçada e leva a um extremo (de vez em quando de maneira desnecessária) uma personagem que já é extrema, vide exemplo do macarrão. Mas, de longe esse é o melhor papel da atriz em tudo que já vi dela. Pelo menos ela não se mostra insípida e sem graça como em vários trabalhos. Indo numa direção contrária, Ellie Reed entrega Annie como um ótimo alívio cômico e uma personagem cativante que gera no espectador certo apego com o passar dos episódios. O personagem de Johnny Simmons, Shane, é o namorado de Sophia, que desenvolve uma relação interessante com a personagem e instiga o crescimento pessoal dela. Vale ressaltar a incrível participação de RuPaul (grande estrela do reality show RuPaul’s Drag Race) que interpreta um personagem incrível e que sempre que está em cena provoca ótimas gargalhadas. A série conta com produção executiva da própria Sophia Amoruso e de Charlize Teron e foi criada para a “TV”por Key Cannon.

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O trabalho de direção de arte da série é lindo. A ambientação no ano de 2006 é muito bem feita e nos transporta de volta, o que causa certa nostalgia. Não posso deixar de citar uma referência a The O.C. que é simplesmente maravilhosa. A trilha apresentada é incrível e se encaixa perfeitamente. O formato entre 20 e 30 minutos não poderia ter sido mais bem empregado. Por não serem longos, os episódios não se tornam enfadonhos ou cansativos. As cores utilizadas e todas as referências ao mundo da moda são extremamente bem feitas. O roteiro é bem escrito, mas algumas cenas e até mesmo episódios parecem mal colocados e soltos na posição em que foram colocados.

É curioso perceber como é tratada a questão de Sophia ser uma garota. Nesse ponto a série explora dois ângulos de um preconceito que pode irritar. O fato de Sophia ser uma mulher no mundo dos negócios, e também, a questão de ela ser bem jovem. A descrença por parte de alguns personagens, principalmente do pai dela, mostra o quanto homens mais velhos tendem a ter preconceito com jovens no empreendedorismo, principalmente com jovens mulheres. Uma questão que trouxe certa polêmica foram algumas mulheres dizerem que a empreendedora retratada em Girlboss não as representa. Entendo, pelo fato de Sophia ser uma personagem difícil, muitas vezes arrogante e tudo mais, porém a série deve ser entendida como uma adaptação da vida Sophia antes de mais nada, sendo assim, devendo certa fidelidade a atitude e comportamento dela, e não do geral de mulheres empreendedoras.

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Por fim, Girlboss é uma série interessante, como disse no início. Ela mostra uma trajetória que pode sim inspirar milhares de pessoas. É muito legal ver a história de uma jovem que evolui mais do que como empresária, como uma pessoa. Tinha um potencial maior, e poderia ter alguns erros facilmente solucionados se tornando ainda melhor.

 

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Nerd: Gabryel Oliveira

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