Paixão Obsessiva tem clichês e é chocho

O suspense dramático Paixão Obsessiva apresenta um prólogo muito promissor e que deixa seu espectador empolgado pelo restante do filme: temos a personagem da Rosario Dawson sendo investigada e com alguns ferimentos. Não demora muito para descobrirmos que se trata de um caso de violência doméstica, mas algo está estranho: a polícia identificou alguns objetos pessoais da protagonista. Seria caso de estupro ou de consentimento?

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Essa dúvida permanece até determinado momento do filme.

Depois a trama volta 6 meses no tempo, onde temos a história principal: Rosario Dawson vive Julia, uma mulher traumatizada pela violência doméstica sofrida por seu antigo parceiro, mas que agora quer um recomeço com seu novo amor, David. Aparentemente o casal vive bem, só há um problema: Tessa, personagem da Katherine Heigl, a qual  é ex mulher  de David e tem uma filha com ele.

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O que de início era uma trama familiar e de cumplicidade, vira um jogo de gato e rato e uma briga de egos.

Paixão Obsessiva acerta quando o filme foca na personagem da Rosario Dawson, sobretudo em suas alucinações com seu antigo agressor e em sua tentativa de ser e parecer uma boa pessoa perante a filha de David e não ficar com a imagem de madrasta ou megera.

Mas os acertos do filme param por aí. A história da rivalidade entre Julia e Tessa é tão mal construída, tão mal feita, que caberia em qualquer novela mexicana: a moça boa e pobre encontra seu príncipe encantado, mas tem que lidar com a ex vingativa que fará de tudo para afastar o casal, até criando planos para destruir a reputação da mocinha.

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Não bastasse isso, o filme é totalmente previsível, onde não é difícil adivinhar o próximo passo da vilã e se a intenção era fazer algo engenhoso com as passagens de tempo, foi um tiro pela culatra.

O elenco claramente não está à vontade por aqui, mesmo Rosario se esforçando, está longe de um papel digno de nota. Sua química com David inexiste e um momento nenhum o espectador se envolve um sente empatia pelo casal, aliás, as cenas de suspense e que deveriam ter sido tensas, causaram gargalhadas na sessão de cinema, onde a plateia claramente torcia para que o filme acabasse.

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Junte isso com mais uma péssima atuação de Katherine Heigl, que só acertou mesmo na série Grey’s Anatomy, mas desde que se dedicou ao cinema, fez um filme e papel pior do que o outro, como em Lar Doce Inferno ou Como Agarrar Meu Ex-Namorado. Não há de duvidar se este filme ou se Katherine forem indicados à Framboesa de Ouro 2018.

Este é o primeiro filme da diretora Denise Di Novi. Ela produziu bons filmes no passado, sobretudo ótimos filmes de Tim Burton como Edward – Mãos de Tesoura, Batman – O Retorno e Ed Wood, mas nos últimos anos produziu pérolas como Mulher-Gato, No Pique de Nova York e Monte Carlo. Aqui ela claramente não soube dirigir atores.

Em tempos que as discussões sobre empoderamento feminino estão em alta, um filme que poderia falar sobre violência doméstica só acrescentaria ao debate, mas Paixão Obsessiva perdeu uma grande história que tinha ao dedicar seu tempo quase que todo em uma trama televisiva e que liga o nada a lugar nenhum.

E ainda queria continuação!

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Nerd: Raphael Brito

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